
Informação sobre tubarões. Estas maravilhosas criaturas estão a ser exterminadas indiscriminadamente da face da Terra. Se não agirmos rápidamente, perderemos o topo da cadeia alimentar dos Oceanos e o ecossistema marinho entrará em colapso.
Tubarões Voadores
A África do Sul é o País que abriga esta extraordinária população de tubarões brancos conhecidos pela habilidade de saltarem da água para perseguirem suas presas. O vídeo é impressionante.
Tubarões em Portugal
Tem sido cada vez mais frequentes os relatos da existência de tubarões em águas territoriais portuguesas. O desconhecimento do comportamento desses animais tem feito com que algumas pessoas entrem em pânico, e outras, como pescadores, que os tentem agredir ou mesmo matar.

Tubarão Frade - Cetorhinus maximus. Alimenta-se de plâncton. Maior tamanho registado 9,8 metros, embora existam referências não confirmadas a animais com 12 e 15 metros.
Massacre de tubarões: "Pescadores espanhóis matam pelas barbatanas"
"A organização ambientalista Biosfera 1 acusou pescadores espanhóis de estarem a matar tubarões em larga escala, nas águas de Cabo Verde, na maior parte das vezes, apenas para lhes aproveitar as barbatanas.
José Melo, dirigente daquela associação cabo-verdiana, revelou que no ano passado foram descarregadas cerca de 2400 toneladas de carne de tubarão no porto do Mindelo: "Se tivermos em conta que já se perdeu 40 por cento do peso inicial, porque foram tiradas as vísceras e a cabeça, fica-se com uma ideia da quantidade de tubarões mortos", acrescentou.
Segundo o activista da Biosfera 1, a carne de tubarão é vendida nas ilhas espanholas das Canárias a cinco euros o quilo, sendo as barbatanas enviadas para o Japão e compradas a 28 euros cada quilo.
"Quando os barcos têm o porão cheio e se os pescadores ainda têm isco e alimentação continuam no mar a apanhar tubarões, só para lhes arrancar as barbatanas, deitando o resto fora. As barbatanas são fáceis de armazenar porque basta porem-se a secar ao sol, e depois estão prontas para enviar para o Japão", adiantou.
A Associação inaugurou na semana passada, no Mindelo, uma exposição sobre o massacre dos tubarões nas águas cabo-verdianas, com fotos, réplicas de algumas espécies e explicações sobre as diversas variedades que podem ser encontradas nas águas do arquipélago.
A exposição encerra no fim-de-semana e segundo José Melo há já pedidos para depois ser exibida em escolas, sendo possível que venha ainda para a capital do país, Cidade da Praia.
A iniciativa destina-se a sensibilizar a população e autoridades para o problema, sendo que até há 15 anos "Cabo Verde era considerada a zona do Atlântico com maior incidência de tubarões" e hoje dificilmente se vê um.
"Tínhamos mais de 50 espécies, desde o tubarão martelo ao azul, gata, tigre, baleia...", exemplificou, acrescentando que no mundo existem cerca de 350 espécies, muitas delas ameaçadas.
José Melo diz que tem fotografias e que sabe que barcos fazem a pesca do tubarão, alertando para a utilidade do predador, que consome peixes doentes e mortos, contribuindo para regular o equilíbrio ecológico marinho.
Além de utilizados para consumo da carne, a barbatana de tubarão é usada nos países asiáticos para fazer sopa, considerada uma iguaria. A China é o maior consumidor do mundo de barbatana de tubarão, importando cerca de quatro mil toneladas por ano.
Alguns países, entre os quais o Brasil ou os Estados Unidos, já impuseram proibições ao corte de barbatana de tubarões. Imprensa especializada estima que em cada ano são mortos 100 milhões de tubarões só por causa das barbatanas."
Fonte: Agência Lusa
Pesca e comércio de tubarão na Europa
Algumas das mais importantes nações pescadoras de tubarão do mundo situam-se na Europa. Entre 1990 e 2003, o número oficial de tubarões capturados aumentou 22%, 80% dos quais foram capturados por 20 países - que incluíam Espanha, Portugal, Reino Unido e França.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os países da União Europeia (UE) capturaram cerca de 100 mil toneladas (t) de tubarões (incluindo mantas e quimeras) em 2005. Espanha capturou a maior percentagem, cerca de 40% do total da UE, seguida por França (22%) e por Portugal.
mais info: www.quercus.pt
A situação portuguesa... (tirando as mil e uma outras)
Em 2005, segundo dados da FAO, navios portugueses pescaram 15 360 t de tubarões, principalmente nos Oceanos Atlântico (13 385 t) e Índico (1 975 t). Os mais capturados foram as tintureiras (mais de 50%), seguidos pelas mantas, anequim e algumas espécies de tubarão de águas profundas como a lixa e o carocho.
Possuindo 30 navios, Portugal tem a segunda maior frota de navios de pesca de palangre de superfície da UE. Os tubarões, principalmente tintureiras, tubarões-anequim, tubarões-martelo e tubarões-raposo, são uma grande percentagem dos animais capturados.
As três espécies existentes de tubarão-raposo e de anequim são consideradas vulneráveis a nível global pelo Grupo de Especialistas em Tubarões da UICN, com base nos Critérios da Lista Vermelha, enquanto se propõe que várias espécies de tubarão-martelo sejam incluídas na lista como estando Ameaçadas. A tintureira, potencialmente o tubarão pelágico mais abundante e mais pescado do mundo, é considerada Quase Ameaçada a nível global.
Factos sobre a Conservação de Tubarões
A maioria dos tubarões são particularmente vulneráveis à pesca excessiva e as populações levam muito tempo a recuperar, porque geralmente os tubarões crescem lentamente, têm um amadurecimento tardio e produzem poucas crias.
A maioria das indústrias europeias da pesca do tubarão entrou em declínio, juntamente com as populações que capturavam. Mesmo assim, a pesca do tubarão efectuada por navios da União Europeia não está completamente regulamentada, numa altura em que está a aumentar a procura da carne e barbatanas de tubarão.
Um terço da população de tubarões, de raias e de mantas da Europa é agora considerado Ameaçado, segundo os critérios da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas e Vulneráveis da IUCN (World Conservation Union), estando outros 20 por cento em risco de entrar nessa lista num futuro próximo.
A procura de barbatanas de tubarão, ingrediente da iguaria asiática sopa de barbatana de tubarão, leva muitas vezes à remoção das barbatanas, prática que consiste em remover as barbatanas dos tubarões, lançando depois o corpo ao mar. A UE baniu a remoção das barbatanas a bordo dos seus navios, seja onde for que estejam a pescar, mas há sérias falhas na regulamentação e isso impede a sua eficácia.
A UE usa uma percentagem entre o peso das barbatanas e o do corpo para assegurar que os navios de pesca trazem para terra todas as carcaças de tubarão de onde se retiraram as barbatanas (em vez de simplesmente lançarem os corpos ao mar). Esta taxa da UE é uma das mais altas do mundo (sendo, assim, uma das mais brandas). Esta e outras falhas, como por exemplo permitir-se que as carcaças e as barbatanas sejam descarregadas separadamente, prejudicam a execução da lei. Além disso, os cientistas alertam para os problemas que surgem no uso de taxas com este objectivo e recomendam vivamente que os tubarões sejam descarregados dos navios ainda com as barbatanas. Este método de imposição é de longe o mais eficiente para se evitar a remoção de barbatanas e também facilita a identificação e recolha de dados por espécie dos tubarões capturados, o que é extremamente necessário para a avaliação da população.
Em 1999, a United Nations Food and Agricultural Organization (FAO) adoptou um Plano de Acção Internacional para a Conservação e Gestão dos Tubarões (IPOA-Sharks). A IPOA-Sharks pedia às nações pesqueiras que desenvolvessem planos de acção nacionais para os “tubarões” (definição que incluía todos os peixes cartilagíneos: tubarões, raias, mantas e quimeras) e que cooperassem no delinear de planos de acção regionais para os tubarões. Oito anos mais tarde, a UE ainda não desenvolveu um Plano de Acção; esta falta de acção está a causar danos nas populações de tubarões que só poderão ser reparados daqui a décadas ou mesmo séculos.
4) O que Portugal pode fazer para ajudar os tubarões
Enquanto terceira maior nação pesqueira de tubarão da Europa e com a segunda maior frota de navios de pesca, Portugal tem a responsabilidade de garantir uma gestão pesqueira adequada e programas de conservação para tubarões. A Shark Alliance pede com veemência a Portugal que:
Pressione a Comissão Europeia para desenvolver prontamente o devido plano de acção para os tubarões da UE, ajudando assim a garantir que os tubarões recebem a atenção necessária para que haja uma conservação efectiva e uma pesca sustentável;
Dê o exemplo a outros Estados-membros da UE de forma a acabar com as excepções à interdição da UE da remoção das barbatanas de tubarão a bordo e a suspender a emissão de autorizações especiais de pesca;
Incentive a Comunidade Europeia a propor limites à pesca de tubarão com uma base científica e de prevenção a nível da UE e de órgãos internacionais competentes no domínio da pesca.
5) A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) é uma instituição portuguesa privada, financeiramente independente. O seu principal objectivo é contribuir para o desenvolvimento de Portugal, fornecendo apoio financeiro e estratégico a projectos inovadores e encorajando a cooperação entre a sociedade civil portuguesa e americana. Para mais informações, ir a www.flad.pt
6) Em Setembro, Portugal irá receber delegados de todo o mundo no encontro anual da Organização de Pesca do Noroeste do Atlântico (NAFO). Espera-se que os delegados proponham limites à pesca da raia repregada, uma espécie ameaçada. A NAFO é a única organização regional de pescas do mundo a estabelecer um limite para a captura de tubarões, raias ou mantas. Contudo, o limite à pesca da raia que foi estabelecido em 2004, está muito acima daquilo que os cientistas aconselhavam e a população reduzida de raias está longe de mostrar sinais de recuperação. Grupos de membros da Shark Alliance exercem pressão sobre os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá para que cooperem na redução dos limites da pesca da raia, até um nível que possa reduzir o risco de extinção e permita a recuperação da espécie.
Fonte: "www.sharkalliance.org"
Se ainda não acreditam em tubarões na Madeira...
Leiam este artigo publicado no Diário de Notícias da Madeira em 2006
"A Madeira possui cerca de 55 espécies de tubarões. Algumas são capturadas na pescaria do peixe espada-preto, como a xara branca, a sapata e vendidas como "gata", o conhecido "bacalhau" de Câmara de Lobos. São também aproveitadas para o fabrico de um óleo utilizado como repelente de insectos.
O estudo destas espécies está a ser efectuado na Região por Mafalda Freitas, bióloga do Departamento de Ciência da Câmara Municipal do Funchal, cuja área de investigação é a taxonomia dos peixes cartilagíneos, nos quais se incluem os tubarões, as raias, os ratões as mantas e as quimeras." ...
Semana Europeia dos Tubarões
Termina hoje a "Semana Europeia dos Tubarões" que esteve a decorrer de 11 a 19 de Outubro.

Por toda a Europa vários movimentos de conservação das espécies, grupos de mergulho e aquários, realizaram eventos para apoiar a preservação dos tubarões e educar a população para uma melhor compreensão destes seres. Foram também recolhidas assinaturas para acabar com a sobrepesca e pesca da barbatana de tubarão.
O despertar para a realidade
Este blog tem início após ter visto um documentário que me marcou. Trata-se de "Sharkwater" produzido por Rob Stewart (não confundir com o músico esse é Rod Steward).

O que começou por ser uma aventura no mundo dos tubarões acabou por ser uma experiência que viria a revelar a realidade sobre estes pilares da evolução dos nossos Oceanos.
Rob descobriu que estas magníficas criaturas, passaram de predadores a presas de um mercado sem escrúpulos.
Com uma fotografia espectacular e uma mensagem muito importante este é um documentário a não perder, nem que seja pela sua beleza.
Mais informação em: www.sharkwater.com
O documentário será apresentado na 4ª edição do Festival Internacional de Filme do Funchal a decorrer de 7 a 15 de Novembro 2008 no Teatro Municipal Baltazar Dias. A não perder !
Aqui está trailer:
